Vamos brincar de jogar?

[…] a diversão e a brincadeira são necessárias à vida.
(Aristóteles, “Ética a Nicômaco”)

Aristóteles, conhecido filósofo, nos exorta sobre a importância e necessidade de uma vida séria e comedida. Contudo, também nos diz que a vida, para ser bem vivida, exige diversão e brincadeira.

Brincar e se divertir são atividades que estão presentes em nossa vida desde a infância. Para alguns, no passado; para outros, agora. Quem nunca ouviu seus avós ou pais dizerem que brincavam na rua, jogavam bola no campinho de terra ou que brincavam até anoitecer com seus melhores amigos? Ou, olhando ao redor, quem nunca encontrou crianças e jovens mergulhados no mundo virtual e nas realidades aumentadas em busca de diversão?

Não importa se estamos com amigos ou com avatares, o importante é que, todos nós, em algum momento da vida, buscamos nos divertir e brincar. Alguns, olhando para trás com saudade de um tempo que já passou; outros, com olhos iluminados voltados para frente em busca do horizonte em que habita o futuro.

Os jogos são, sem dúvida, maneiras bem conhecidas de diversão e brincadeiras. Muitos adultos de hoje passaram tardes inteiras em volta de um tabuleiro do Banco Imobiliário, ou conquistando territórios com as pecinhas coloridas do War. Mas certamente esses momentos inesquecíveis não eram apenas brincadeiras; significavam também um exercício de afeto e interação social e, sem nos darmos conta, acompanhávamos e valorizávamos o trabalho realizado pelo outro, defendíamos nossa maneira de ver o mundo e aprendíamos brincando a sermos críticos e confiantes em nós mesmos.

Nada mais elegante e provocativo do que ver os amigos, sérios e silenciosos, diante de um tabuleiro de xadrez. Ali desenvolvíamos habilidades de observação e análise, buscávamos todas as possibilidades de jogadas do adversário, refletindo e armando a melhor estratégia, tomávamos a decisão para o melhor lance em busca do xeque-mate.

Hoje não é diferente. Seja no mundo virtual ou ao redor de um tabuleiro, também desenvolvemos a argumentação e aprendemos a ser organizados e acolhedores com nós mesmos. Afinal, a derrota é apenas o motivo para uma nova partida.

Os jogos nos trazem confiança, desenvolvem nossa capacidade de raciocinar, de escolher, de estar com os outros, de cair e se levantar e de pôr em prática a empatia e a paciência. Motivam, na dose certa, a sermos competitivos e, acima de tudo, a aprendermos a viver em família e com os amigos, dizendo ao mundo que somos capazes de ganhar, não só o jogo, mas confiança em nós mesmos. Brinque, divirta-se, aproveite a companhia da família e dos amigos, esteja pronto para ganhar e, se perder, com um sorriso no rosto, apenas recomece!

Luiz Fernando (Professor no CEFSA)
Graduado em Matemática e Filosofia
Mestre pelo programa de Ensino, Filosofia e História das Ciências e Matemática.

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