Quanto vale um like?

Com o avanço da internet e a popularização dos smartphones, nos tornamos cada vez mais consumidores e dependentes das redes sociais. Você já reparou quantas vezes por dia você checa o seu Facebook? O seu Instagram? Você já tentou mensurar quanto tempo você gasta em uma rede social e mais ainda, o quanto você se importa com a quantidade de likes e interações que suas postagens recebem?

Diante da dependência do usuário e da importância que a vida online passou a ter, até mais do que a vida social, a preocupação com a saúde mental tornou-se relevante entre os pesquisadores e desenvolvedores por trás dessas redes e aplicativos. As pessoas passaram a consumir artificialmente estilos de vida, pensamentos, relações, que seriam bem mais relevantes se fossem de fato na vida real de quem acompanha.

Ilustração: Fido Nesti

As pesquisas apontam que o tempo que passamos conectados está diretamente ligado a casos de aumento de depressão e ansiedade. As pessoas cada vez mais não conseguem ficar longe do mundo online e dos falsos prazeres que isso traz, afinal nem tudo é perfeito e bonito como mostram os influenciadores nas fotos maravilhosas e tratadas no Instagram.

“Sites e redes sociais como o Facebook prometem nos conectar a amigos, porém o retrato dessas pessoas na vida é real é de uma geração solitária e deslocada. As pessoas que visitam redes sociais todos os dias, mas vêem seus amigos pessoalmente com menos frequência, têm maior probabilidade de se sentirem sozinhas, excluídas e frequentemente gostariam de ter mais amigos. Os sentimentos de solidão, principalmente entre os adolescentes, aumentaram em 2013 e permanecem altos desde então. ” – Jean. M Twenge (The Atlantic Magazine, setembro 2017)

Com a percepção de que as pessoas estão encontrando o bem-estar nas redes sociais e não na realidade, o Instagram foi o primeiro aplicativo a tentar desvincular os usuários de uma falsa aprovação das quais eles se viam dependentes em ter: a quantidade de likes. Quanto mais likes, melhor você é? Quantos mais likes, mais você é superior a alguém? Afinal, de que forma o like traz vantagem para a sua realidade? Quanto vale um like?

A satisfação encontrada pela quantidade de likes, é assustadora e preocupante. Pensando nisso o Instagram resolveu ocultar as curtidas nas publicações para tentar controlar a dependência e auto cobrança do usuário. A competição por curtidas motivou a decisão da empresa de realizar a alteração no aplicativo e teve o apoio de profissionais da área de psicologia.

Para quem trabalha com o Instagram e depende dos números para fechar acordos com marcas patrocinadoras por exemplo, esses dados ocultados publicamente podem ser encontrados de forma privada para cada conta e assim, podem ser enviados para os parceiros. Outro ponto positivo é que as contas influenciadoras terão que se preocupar mais com o conteúdo do que com os números, gerando assim outras formas produtivas de engajamento e não só quantidade de curtida.

“Nossa expectativa é entender se uma mudança desse tipo poderia ajudar as pessoas a focar menos nas curtidas e mais em contar suas histórias”. – Instagram

 Vale lembrar que as redes sociais não são os maiores ‘monstros’ da humanidade moderna, cabe ao usuário se policiar e manter um uso saudável das plataformas, afinal tudo em excesso é prejudicial. A decisão do Instagram de ocultar os likes nas postagens está em fase de testes no Brasil e no Canadá, se positiva, a medida será aplicada em todo o mundo.

“A plataforma pode fazer bem às pessoas, desde que a gente consiga usá-la com critérios que não sejam unicamente de competição, comparação e imperativo de felicidade. Não existe vida perfeita sem momentos de tristeza, derrota e fragilidade. Se começamos a fingir que isso não existe, não é saudável. ”-  Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor da SaferNet para a Revista Época.

Mariana Duarte (Colaboradora do setor de Comunicação, do CEFSA)
Graduada em Publicidade e Propaganda

Pós-graduada em Desenvolvimento de Aplicações para Web

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