Como o coronavírus afeta a economia?

Como muitos sabem, o coronavírus tem sido assunto mundial em todas as mídias, principalmente na internet. A possibilidade de uma pandemia (termo utilizado para epidemias em continentes inteiros e, inclusive, no mundo todo) tem afetado diretamente as bolsas de valores de todos os países.

Se você tentar buscar uma relação entre esses dois temas, talvez isso não fique tão claro assim, mas existe uma explicação plausível para o que está acontecendo no globo. Há uma frase repetida à exaustão no âmbito financeiro por diversos analistas que afirma: “O mercado sempre antecipa o futuro”.

Sim, o mercado não espera o fato acontecer; ele sempre se antecipa. Existem diversas teses sobre como os preços dos ativos estão superavaliados de uma maneira geral, então é comum que, ao primeiro sinal de risco iminente, haja um reflexo no mercado.

Outro ditado comum é que o “mercado sobe de escada e desce de elevador”. Neste caso, as quedas são mais acentuadas e dão mais notícia do que as subidas dos preços dos ativos. Por exemplo, quando os investidores compram ações, eles esperam que elas se valorizem pelo poder de fluxo de caixa que podem oferecer no futuro. E caixa é rei.

Uma empresa que não gera fluxo de caixa futuro tem a sua ação precificada pelo mercado sempre tendendo a zero. O acionista busca valor nos ativos e um empreendimento que não gera fluxo de caixa não é valorizado no mercado de capitais.

Mas o que isso tem a ver com o coronavírus?

A resposta é: tudo!

Vamos lá! Quando você pensa em produtos como celulares, carros, eletrodomésticos e eletrônicos etc., qual país vem à sua mente? Se sua resposta for China então as coisas começaram a fazer sentido para você, não é verdade?

Se o país que possui o segundo maior PIB do mundo e concentra a produção mundial de itens para diversas marcas em todo mundo é afetado por uma epidemia comprometendo a mão de obra, quais impactos isso causaria no fluxo de caixa futuro das empresas que dele dependem?

Quem está acompanhando nas mídias o que está acontecendo em nações como a Coreia do Sul, sabe que suas empresas já não estão recebendo itens de produção da vizinha China, o que tem paralisado as vendas para todo o mundo.

Agora chegou a vez do Brasil. No pregão da quarta-feira de cinzas do dia 26/2/2020, o índice Bovespa registrou queda de – 7,5%. Mas é claro que você não se recorda que, desde o Ano-Novo, o índice vinha batendo recorde atrás de recorde. Uma hora o mercado iria colher os frutos desses investimentos.

Com certeza, a crise de saúde que o coronavírus provocou irá passar e as bolsas e a economia voltarão ao patamar de normalidade; a grande questão será: você estará atualizado junto ao mercado comprando ativos baratos ou estará atrasado, comprando ações que já tiveram os preços ajustados?

 

Eduardo Cezar de Oliveira (Professor da FTT)
Graduado em Administração
Mestre em Contabilidade
Doutorando em Finanças

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1 comentário / Adicionar um comentário abaixo

  1. Acredito que seja necessário uma análise da volatilidade das ações nestes eventos de crise, pois assim é possível medir com mais realidade o risco do investimento.
    A solidez de uma empresa precisa ser analisada em períodos fora da crise.

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