Técnicas de Redação – Parte XIII – A finalização do trabalho

Após o estudo dos requisitos do bom texto técnico, vistos nas páginas anteriores de nosso blog, resta-nos abordar a etapa final do que virá a ser efetivado como o tão desejado “texto pronto”. Vale, no entanto, uma das recomendações mais veementes feitas pelos profissionais das letras (escritores, redatores, jornalistas etc.): não existe texto definitivo! Ou seja, todo e qualquer produção escrita, por mais qualidade que apresente, poderá ser alterada ou aperfeiçoada, uma ou mais vezes. Para isso, uma estratégia indispensável a quem escreve, especialmente na fase final do trabalho, é fazer a leitura completa do texto, com todo o cuidado, do começo ao fim.

Essa leitura é fundamental, talvez o momento mais importante de todo o processo, pois é ela que dará ao autor a certeza de que o texto foi bem elaborado e saiu exatamente do modo como ele queria. Se uma única leitura não for suficiente, faça quantas forem necessárias.

Graças a essa última revisão, você poderá detectar as falhas, os pontos onde o texto esteja incompleto, ambíguo, obscuro, e as palavras de que você não tem certeza sobre a grafia ou o sentido.

Lembre-se: esta é a etapa do rigor. Não pode haver a mínima incerteza sobre qualquer palavra, frase, informação ou dados apresentados. Portanto, não hesite em consultar dicionário, gramática, internet ou qualquer livro de referência para esclarecer suas dúvidas. Se mesmo assim elas persistirem, o melhor é substituir o termo, a frase ou a informação dúbia por outro/outra equivalente, sobre o/a qual não paire dúvida.

Outra técnica valiosa é pedir a alguém de sua confiança e que domine o assunto tratado para ler e fazer uma avaliação ou revisão de seu texto. Muitas vezes, o autor não consegue ver problemas, falhas e defeitos evidentes, que são facilmente detectados por outra pessoa.

Por fim, guarde bem estas recomendações importantes:

  • Há sempre uma maneira de se modificar e melhorar um texto sem alterar seu sentido;
  • Jamais, em hipótese alguma, deixe que um texto de sua autoria, seja uma tese ou um simples bilhetinho, saia de suas mãos com qualquer dúvida, mínima que seja.

Dica final: após todas estas providências, você deve fazer uma última leitura, por meio da qual se certificará de que o texto está perfeito, precisamente como você o quer, e pode ser divulgado. Se não estiver, faça as modificações necessárias e reinicie a leitura. Uma boa sugestão é fazer essa leitura em voz alta, o que irá ressaltar as qualidades ou deficiências da sua produção escrita.

Partículas de Transição e Palavras de Referência

Como já foi explicado anteriormente, harmonia, equilíbrio, fluência e sequência lógica são qualidades essenciais ao bom texto. As conjunções, as palavras de referência e as partículas de transição são elementos indispensáveis para se chegar a um texto com essas qualidades.

Vejamos um exemplo bem elementar de como elas funcionam na conexão de duas pequenas sentenças: “Ontem choveu muito. Não pude sair.” Possibilidade 1: “Como ontem choveu muito, não pude sair.” Possibilidade 2: “Não pude sair em virtude de ter chovido muito ontem”. Possibilidade 3: “Ontem choveu muito e, por isso, não pude sair.” Possibilidade 4: “Choveu muito ontem e, por conseguinte, não pude sair.”

Nos próximos capítulos iremos mostrar como o domínio dessas palavras e expressões, conhecidas como partículas de transição e palavras de referência, irão ajudá-lo(la) significativamente a realizar um bom trabalho na constituição de seu texto.

 

Colaboração: Sérgio Martins (ex-professor do CEFSA e atual colaborador do Setor de Comunicação nos serviços de revisão de textos)

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