Desvendando a Gramática – Parte XIV: Vícios de Linguagem

A gramática procura, precipuamente, definir normas para a produção de textos elaborados de forma “correta”, de acordo com seus princípios. Portanto, ocupa-se na maior parte de suas disposições, com o quê e como a linguagem, oral e escrita, deve ser produzida. Mas não deixa também de destacar as formas “erradas”, ou melhor dizendo, “inadequadas”, a serem evitadas pelos que fazem uso da norma culta. Um desses temas diz respeito aos vícios de linguagem, alguns dos quais vamos mencionar neste capítulo:

  1. Arcaísmo: palavras ou expressões que não são mais usadas atualmente, ou ficaram fora de uso: “Fiquei mui chocado com a notícia.”(muito) “Os três dias de nojo tinham passado.” (de luto) “Responda-me por meio de ”(carta)
  2. Barbarismo: é todo erro cometido por falha na pronúncia, na acentuação, na ortografia, na flexão ou na semântica: “pobrema” (o correto é problema); “rúbrica” (o correto é rubrica); “mecher” (o correto é mexer); “eles proporam” (o correto é propuseram); “conserto de orquestra” (o correto é concerto).
  3. Neologismo: criação de novas palavras ou expressões às quais é atribuído um novo significado. “Deletar” (no sentido de apagar, esquecer); “home office” (trabalho remoto); “causar” (no sentido de provocar, gerar polêmica); “compliance” (no sentido de manter a ética, evitar corrupção).
  4. Ambiguidade: duplo sentido de interpretação na frase. “A mãe de Talita matou sua filha” (a filha de quem?); “O policial viu o crime do quarto” (ele estava no quarto ou o crime foi praticado no quarto?).
  5. Cacófato: é o uso de palavra inconveniente, ridícula ou obscena. “Eu não vi ela” “Palavras que saíram da boca dela.” “Não vi nunca gado naquele sítio.” “Lá tinha uma porção de gente.”
  6. Pleonasmo: uso de redundâncias desnecessárias para a transmissão de conteúdo da frase. “Sair para fora”. “Entrar para dentro”. “Descer para baixo”. “Subir para cima”. “Encarar de frente”. “Surpresa inesperada”; “Planos para o futuro.”
  7. Gerundismo: uso inadequado do gerúndio na tentativa de reforçar uma ideia de continuidade. “Eu vou estar enviando o e-mail” (Eu enviarei…) “Em que poderia estar ajudando?” (Em que posso ajudar?)
  8. Estrangeirismo: uso desnecessário e exagerado de palavras de outros idiomas: “show” (espetáculo, apresentação); “drink” (bebida ou drinque); “delivery” (entrega em domicílio); “pet” (animal de estimação).
  9. Solecismo: é o nome dado às construções que infringem as normas de sintaxe. Exemplos de solecismo de concordância: “Haviam muitos homens no evento” (Havia); “Fazem três anos que me formei.” (Faz). Exemplos de solecismo de regência: “Esta é a ferramenta que a empresa precisa” (de que a empresa precisa); “Assisti o filme” (assisti ao); “Fomos no” (ao parque); “Chegaram na cidade perdida” (à cidade). Exemplos de solecismo de colocação: “Me faça um favor?” (Faça-me…) “Não diga-me uma coisa dessas.” (Não me diga…)

Prezado leitor, esta série de artigos foi criada para auxiliá-lo a compreender com mais facilidade as regras gramaticais e colocá-las em prática, especialmente nas situações em que se faça necessário o uso da norma culta. Por isso, a ênfase dada foi no sentido de simplificar as regras e definições, com clareza e objetividade, e não construir mais um “compêndio hermético de gramática normativa”.

Esperamos ter alcançado esse objetivo. Caso você tenha alguma dúvida sobre a matéria desta página ou referente a qualquer dos capítulos apresentados, ou mesmo sobre técnicas de redação ou dúvida que possa surgir no uso da linguagem (falada ou escrita), entre em contato com o Setor de Comunicação do CEFSA. Estamos à inteira disposição para ajudá-lo a superar suas dificuldades no quesito Língua Portuguesa.

 

Colaboração: Sérgio Martins (ex-professor do CEFSA e atual colaborador do Setor de Comunicação nos serviços de revisão de textos)

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