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Centro Educacional da Fundação Salvador Arena

Desvendando a Gramática – Parte IV

Nossa proposta de esclarecer aspectos de maior complexidade no campo da gramática, de forma sucinta e objetiva, prossegue. Neste artigo, vamos tratar de duas questões que sempre trazem dúvida a quem escreve: o uso dos “porquês” e a diferença entre “senão” e “se não”.

São quatro as possibilidades de uso dos porquês. A primeira é quando a palavra é subdividida em duas partículas (por que), ou seja, deve estar separada. Neste caso, há sempre um substantivo anteposto (claro ou subentendido) e pode ser substituído por “pelo qual” ou suas variações. Exemplos: “Esse é o motivo por que eu o demiti.” (= pelo qual) “Não há razão por que desistir nesta altura dos acontecimentos. (= pela qual)”

Da mesma forma, o por que deve aparecer separado mesmo se não houver um substantivo anteposto, mas representar uma pergunta e subentender “por qual razão” ou “por qual motivo”. Trata-se da junção da preposição “por” + um pronome relativo e terá o significado de “pelo qual” e suas flexões. Exemplos: “Você optou por que carreira?” (= por qual) “Quero saber por que você nunca me atende.” “As ruas por que passei já não existem mais. (= pelas quais)”

No segundo caso, o por que também é separado e indica que a frase é uma pergunta (direta ou indireta). Ele incorpora o significado de “por que motivo” ou “por que razão”. Vejamos alguns exemplos: “Por que você fez isso?” (= por que motivo) “Não entendi por que você fez isso.” “Por que os homens agem assim?” Se o por que aparecer no final da oração, o quê torna-se tônico e deve ser acentuado. Exemplos: “Você não me telefonou por quê?” “O rapaz foi embora e nem disse por quê.”

O porque representado em uma única palavra deve ser usado quando puder ser substituído por “pois”, “uma vez que”, “por causa que” (conjunção). Exemplos: “Não voto nesse candidato porque não confio nele.” “Estude porque as provas serão na próxima semana.” “Joana vendeu a casa porque perdeu o emprego.”

Porquê, numa só palavra e acentuado, é um substantivo e tem o significado de “motivo”, “razão”. Sendo um substantivo, pode vir acompanhado de um artigo, um adjetivo ou um numeral. Exemplos: “Não entendo o porquê de tanta comemoração.” “Diga-me um porquê para eu não fazer o curso.” “Eis  o porquê de ninguém aparecer na festa.”

Se não (em duas palavras) deve ser usado quando puder ser substituído por “caso não” ou por “ou”. Exemplos: “Se não comparecerem os eleitores, não haverá eleição”. “Avise-nos, se não for possível comparecer à consulta.” “Se não for hoje, quando será?” “Poderiam ser duas testemunhas, se não três.”

Senão (em uma só palavra) carrega o significado de “caso contrário”, “a não ser que”, “exceto”. Exemplos: “Tomara que chova, senão estamos arruinados.” “Não grite, senão você apanha.” “Ninguém poderia assistir ao evento, senão os convidados.”

A prática de exercícios sobre essas partículas gramaticais ajuda bastante a fixar suas regras e seu uso. Os livros didáticos de gramática e a internet apresentam muitos exemplos e exercícios sobre esses conteúdos. Lembre-se: também no campo gramatical,  só a prática leva à perfeição!

Caro leitor, caso você ainda tenha dúvidas sobre os assuntos aqui tratados, ou sobre outras particularidades gramaticais, escreva para o Setor de Comunicação do CEFSA, aos cuidados de Helena. Teremos o máximo prazer em poder ajudá-lo.

 

Colaboração: Sérgio Martins (ex-professor do CEFSA e atual colaborador do Setor de Comunicação nos serviços de revisão de textos)

 

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